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21/05/2026

O jogo da vida de Ingo Hoffmann

Maior campeão da história da Stock Car Brasil, Ingo Hoffmann tem uma receita simples, muito conhecida, para ser um vencedor: “Tem que ter prazer em fazer o que você faz profissionalmente”. Determinação foi a palavra mais utilizada pelo ex-piloto, hoje empresário, em sua palestra abrindo o último dia da ExpoGestão 2026.

Hoffmann fez um resumo da carreira, contando alguns “causos” e traçando paralelos entre o automobilismo e a gestão empresarial. “Aos 15 ou 16 anos, já era apaixonado por carros de corrida. Um dia, descobri que havia uma pista de kart em Interlagos, e fui conversar com meu pai. Ele não deixou, pois não tínhamos dinheiro para entrar na pista. Foi meu primeiro problema de falta de patrocínio, algo que se repetiria outras vezes.” Quando fez 17 anos, Ingo iniciou, num caderno, a contagem regressiva para os 18. “Fui reprovado no primeiro exame para tirar carteira. Mas consegui, em 1971.” No ano seguinte, enfim, entrou na pista, numa corrida para estreantes e novatos, no autódromo de Interlagos.

“Ali – relembra – iniciei uma semana de grandes decisões, e a primeira foi ‘nunca correr escondido dos pais’. Com a pouca grana disponível, consegui um Fuscão original. Larguei em 44º lugar e cheguei em 7º, numa corrida de recuperação sensacional. Meu pai, em princípio, não me incentivou, por falta de patrocínio, mas minha mãe me apoiou.” O pai, então, com o dinheiro disponível, comprou capacete, macacão e santo-antônio (estrutura de proteção).

Ingo foi campeão em 1973, com seu Fuscão, repetindo a façanha no ano seguinte com uma Brasília. Ainda em 1974, passou para a categoria Super Vê, em parceria com Nélson Piquet.

Rumo à Europa

A partir daí, a ascensão foi meteórica. Em 1975, Ingo estreava no campeonato inglês de Fórmula 3. No mesmo ano, Wilson Fittipaldi o convidou a fazer testes na Fórmula 1, com o carro da equipe Coopersucar. Com a necessidade de cada equipe ter dois pilotos, Ingo Hoffmann estreou no GP da França em 1976. Sem grandes resultados, encerrou a breve carreira na F1 com o 7º lugar no GP do Brasil em 1977. 

Ainda em 77, correndo pela F2 europeia, sofreu seu mais grave acidente, em Portugal. “O santo-antônio despedaçou-se, e o que salvou minha vida foi um pneu que segurou o carro na última capotagem”, relembra, mostrando uma foto do carro destruído. 

Em 1978, já correndo pela BMW, voltou ao Brasil. “Quebrado… Sem carro, sem patrocínio. A queda foi tão rápida como a ascensão. Então a GM criou a stock car, e voltei a ser competitivo.” Com um Opala 79, penou até vencer a primeira prova. “Foi um sufoco. Numa prova, simulei um defeito pra não levar volta do primeiro colocado.”

Em 1980, enfim, o primeiro dos doze títulos, até 2008, quando parou de correr, depois de passar por categorias paralelas e pelo rally cross country. “No rally – compara – o piloto é como o diretor de uma empresa, enquanto o navegador é o gerente. Da sintonia entre os dois é que vêm as conquistas.” Na receita citada lá no início, há muitos ingredientes, como controle emocional, preparo físico, capacidade de negociação e trabalho em equipe. Hoje, além de empresário e instrutor de pilotagem da BMW, Ingo Hoffmann mantém uma fundação com seu nome, dedicada ao apoio a crianças com câncer.

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