
O Seminário sobre Economia, Finanças e Negócios da ExpoGestão 2026 reuniu lideranças empresariais para discutir os desafios estruturais do Brasil, as perspectivas econômicas para as próximas décadas e os efeitos da crescente instabilidade geopolítica sobre empresas, investimentos e cadeias globais. As palestras de Pedro Guimarães e Philipe Moura trouxeram análises complementares sobre o futuro da economia brasileira e os riscos do cenário internacional.
Abrindo o seminário, Pedro Guimarães apresentou um estudo da consultoria Roland Berger sobre os próximos 25 anos da economia brasileira. A proposta da palestra foi refletir sobre o país que o Brasil pretende construir até 2050, em um momento considerado decisivo para a definição de prioridades econômicas, institucionais e sociais.
De acordo com o estudo apresentado, o Brasil poderia alcançar uma economia de US$ 6 trilhões até 2050, desde que consiga sustentar um crescimento anual próximo de 4%. Atualmente, as projeções tradicionais indicam um crescimento bem mais modesto. Para mudar esse cenário, Guimarães apontou cinco alavancas consideradas essenciais: aumento dos investimentos públicos e privados, melhoria do ambiente regulatório, maior eficiência do setor público, redução da informalidade e avanço na qualidade da educação.
Conflitos e cenário geopolítico
Na sequência do seminário, Philipe Moura, da Eurasia Group, trouxe uma análise sobre os principais riscos políticos e geopolíticos que devem influenciar o ambiente de negócios nos próximos anos. Em sua palestra, o especialista afirmou que o mundo vive um período de ruptura da ordem internacional construída após a Guerra Fria.
O palestrante utilizou o conceito de “Era da Incerteza” para definir o momento atual, caracterizado por mudanças estruturais nas relações entre governos, empresas, sociedade e tecnologia. Para ele, compreender o ambiente político global deixou de ser apenas uma questão diplomática e passou a ser um fator estratégico para empresas e lideranças corporativas.
O diretor da Eurasia Group também afirmou que a influência global dos Estados Unidos passa por transformação, provocando rearranjos nas relações internacionais e ampliando o espaço de atuação de outras potências, como a China. Para Moura, a América Latina — e especialmente o Brasil — possui vantagens estratégicas importantes nesse novo ambiente internacional. Entre os fatores destacados estão a disponibilidade de recursos naturais, a capacidade de diálogo com diferentes blocos geopolíticos e a posição relativamente distante dos principais conflitos internacionais.
Ao longo do seminário, as duas palestras convergiram em um ponto central: a necessidade de planejamento estratégico de longo prazo para empresas, governos e sociedade. Em um cenário global mais complexo e competitivo, produtividade, estabilidade institucional, inovação e capacidade de adaptação foram apontadas como fatores decisivos para o crescimento econômico e a competitividade do Brasil nas próximas décadas.


