
O jornalista, escritor e palestrante Marcos Piangers defendeu a importância da coragem, da inteligência emocional e das conexões humanas durante palestra realizada na ExpoGestão 2026. Em uma apresentação marcada por humor, interação com o público e relatos pessoais, Piangers abordou os impactos da ansiedade, da inteligência artificial e da pressão social sobre a vida das pessoas e o ambiente corporativo.
Ele afirmou que, em meio às transformações tecnológicas e ao excesso de previsibilidade, a principal capacidade humana continua sendo a coragem de criar possibilidades. “A máquina é probabilidade. O ser humano é possibilidade”, afirmou.
Ao longo da palestra, Piangers utilizou referências da cultura pop, experiências pessoais e reflexões sobre comportamento humano para discutir temas como saúde emocional, relações familiares, liderança e propósito de vida.
Emoções, masculinidade e saúde emocional
Ao abordar o funcionamento das emoções humanas, o palestrante utilizou o filme Divertida Mente como referência para explicar sentimentos como medo, tristeza e raiva. Segundo ele, muitas emoções exercem funções importantes de proteção, reflexão e defesa individual. Piangers também chamou atenção para a forma como a sociedade condiciona o comportamento masculino, dificultando a expressão emocional dos homens e estimulando respostas agressivas. “Se o homem não pode chorar, não pode demonstrar medo e não pode expressar fragilidade, a raiva acaba virando o único idioma emocional permitido”, disse. Esse padrão afeta relacionamentos familiares, profissionais e sociais, tornando indispensáveis práticas como diálogo, autoconhecimento e terapia.
Inteligência artificial e o valor das relações humanas
Outro tema da apresentação foi o impacto da inteligência artificial nas relações de consumo e no posicionamento das marcas. Piangers afirmou que consumidores têm demonstrado crescente fadiga diante de conteúdos excessivamente automatizados e de estratégias de comunicação padronizadas.
Para ele, o diferencial competitivo está justamente naquilo que a tecnologia não consegue reproduzir: empatia, presença humana, criatividade e conexão emocional. “Ser atendido por um humano virou luxo”, afirmou.
Como exemplo, Piangers citou a trajetória de Roberta Faria, fundadora do Instituto MOL, iniciativa que desenvolve projetos editoriais com impacto social e arrecadação de recursos para instituições beneficentes. Segundo ele, histórias construídas a partir de sensibilidade humana desafiam lógicas puramente algorítmicas. “A IA nunca vai entender completamente a loucura humana”, ironizou.
Coragem, legado e relações familiares
Autor do best-seller Papai é Pop — que posteriormente ganhou adaptação para o cinema estrelada por Lázaro Ramos e Paolla Oliveira —, Piangers afirmou que grande parte de sua trajetória foi construída a partir do incentivo recebido da mãe, que estimulava escolhas ousadas e a busca por propósito.
Ao refletir sobre ambição e sucesso, o palestrante criticou modelos de realização baseados exclusivamente em patrimônio e status material. “A vida inteira a gente passa com medo do ridículo. Os outros não importam. Seus filhos importam, seus pais importam”, afirmou. Em um dos momentos mais emocionais da apresentação, Piangers resumiu sua visão sobre reconhecimento pessoal: “Eu quero ser famoso em casa.”
Segundo ele, a construção de legado deve estar mais relacionada às relações humanas e ao impacto positivo gerado na vida das pessoas do que ao reconhecimento público ou corporativo.
Gratidão como ferramenta contra ansiedade e burnout
Na parte final da palestra, Piangers relacionou saúde emocional e ambiente de trabalho, defendendo a gratidão como prática concreta de fortalecimento humano e organizacional. Segundo ele, relações construídas a partir de reconhecimento e valorização tendem a gerar mais engajamento, segurança emocional e resiliência. “Chefes que agradecem têm equipes mais engajadas. Pessoas mais gratas desenvolvem mais resiliência”, reforçou.
O palestrante compartilhou experiências pessoais vividas durante o tratamento contra o câncer de sua mãe, Dona Eloísa. Segundo ele, o período reforçou a importância de valorizar o presente, os vínculos familiares e as experiências compartilhadas. Ao encerrar a apresentação, Piangers deixou uma reflexão sobre felicidade, coragem e propósito diante das incertezas da vida contemporânea. “Você só consegue ser feliz se decidir ser feliz hoje. Não quando ganhar milhões, não quando for promovido ou tirar férias. A vida só pede da gente uma coisa: coragem.”


