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21/05/2026

Tecnologia emergente, IA e transformação cultural pautam seminário da ExpoGestão 2026

A inteligência artificial, a automação industrial e os desafios da transformação cultural nas empresas estiveram no centro dos debates do Seminário de Tecnologias Emergentes, realizado durante a ExpoGestão 2026, em Joinville. 

O encontro reuniu lideranças empresariais, executivos de tecnologia e especialistas para discutir os impactos da IA nos modelos de negócio, na produtividade, na gestão das pessoas e no futuro das organizações.

Ao longo da programação, os participantes destacaram que a inteligência artificial já deixou de ser uma tendência distante para se tornar um fator estratégico dentro das empresas. 

O tema apareceu desde discussões sobre governança, segurança e custos das plataformas de IA até mudanças profundas na forma como produtos, processos e operações vêm sendo desenvolvidos.

Durante os debates, executivos ressaltaram a necessidade de equilibrar velocidade de inovação com responsabilidade e governança. Um dos pontos abordados foi a preocupação com os custos crescentes do uso de modelos avançados de inteligência artificial, especialmente em ambientes corporativos de larga escala.

Representantes da KPMG compartilharam experiências práticas de uso da IA dentro da companhia, destacando a criação de limites de consumo, monitoramento de uso e políticas internas para orientar colaboradores. Segundo os executivos, o desafio atual não é apenas tecnológico, mas também cultural, exigindo treinamento contínuo e novas formas de gestão, além do equilíbrio financeiro.

A questão do custo de tecnologia foi uma preocupação apresentada. Segundo o Head de Tecnologia da KPMG, Frank Meylan, há um desafio maior, quando se compara a América Latina com os colegas dos Estados Unidos e da Europa nessa questão de recursos investidos.

Frak fez um provoção ao papel de quem ocupa o cargo de Diretor de Tecnologia (CIO). Segundo o executivo da KPMG, esse gestor deve Impulsionar a inteligência artificial, primeiro na entrega da própria tecnologia, fazendo isso dentro de casa.

“Quem na sua empresa tem alguma área de desenvolvimento que desenvolve código dentro? O que eu quero dizer é que, implantando inteligência artificial na parte de codificação, você consegue baratear os projetos e diminuir o prazo de entrega. Então, coisas que não eram possíveis de ser feitas antes, agora são plenamente viáveis de serem feitas.”, destacou Frank Meilan.  

Outro tema recorrente foi o impacto da IA sobre os modelos tradicionais de trabalho e operação. Os palestrantes defenderam que as empresas precisarão redesenhar processos, estruturas e equipes para aproveitar o potencial dos agentes inteligentes e da automação.

A discussão também avançou para os riscos de dependência tecnológica em relação às grandes plataformas globais de IA. Nesse contexto, executivos apontaram o crescimento de modelos de código aberto e de soluções locais como alternativas para reduzir custos e ampliar a autonomia das empresas.

Automação industrial e o futuro das fábricas

Na sequência da programação, o painel interativo reuniu diretores de tecnologia e executivos de empresas da região para compartilhar experiências práticas sobre transformação digital.

Gustavo Gonçalves, diretor de Operações da Sensorville, provocou o público ao abordar o conceito das chamadas “dark factories”, fábricas altamente automatizadas que praticamente dispensam a presença humana nas operações. Segundo ele, a indústria brasileira enfrenta dois desafios inevitáveis: a concorrência crescente da indústria chinesa e a escassez de mão de obra qualificada.

O executivo destacou que tecnologias de automação estão se tornando mais acessíveis e que muitas indústrias já conseguem modernizar equipamentos antigos sem a necessidade de substituir toda a infraestrutura fabril.

“A indústria brasileira vai precisar acelerar sua automação para continuar competitiva”, destacou.

Cultura e pessoas no centro da transformação

O impacto humano da transformação tecnológica foi um dos temas mais debatidos durante o evento. Flávio Almeida, da Nidec Global Appliance, ressaltou que a adoção de novas tecnologias nas fábricas depende diretamente do engajamento das pessoas. Segundo ele, profissionais experientes muitas vezes enxergam a tecnologia como ameaça, e cabe às empresas mostrar que o conhecimento humano continua sendo essencial.

Ele compartilhou exemplos práticos da implantação de tecnologias em ambientes industriais tradicionais e reforçou que a IA deve ser apresentada como ferramenta de apoio e não de substituição.

“Quando as pessoas entendem que a tecnologia está ali para potencializar o trabalho delas, a resistência diminui e a transformação acontece de forma mais natural”, afirmou.

Dados, integração e comunicação

Douglas Winter, diretor de TI da Agricopel, destacou os desafios de integrar dados e sistemas em empresas com operações complexas e milhares de colaboradores.

Segundo ele, a construção de um Data Lake estruturado foi fundamental para garantir que as informações chegassem de forma clara e útil aos diferentes perfis de profissionais da companhia.

“O grande desafio é transformar dados em informação relevante para quem está na ponta da operação”, comentou.

O executivo também chamou atenção para a dificuldade crescente de contratação de mão de obra e para a necessidade de melhorar continuamente a produtividade por meio da tecnologia.

Inovação dentro de empresas tradicionais

Representando a Condor, Fábio Pereira compartilhou a experiência de criação de um laboratório interno de transformação digital separado da estrutura tradicional de TI.

Segundo ele, a iniciativa nasceu para acelerar projetos de inovação sem o peso operacional do dia a dia da área de tecnologia.

O laboratório começou com duas pessoas e rapidamente passou a desenvolver projetos ligados a inteligência artificial, automação, análise de dados e cultura digital.

“Criamos uma dinâmica mais próxima de uma startup dentro da indústria para acelerar entregas e provocar mudanças culturais”, explicou.

IA como oportunidade de crescimento

Luiz de Souza, da Clinicorp, trouxe a visão de uma empresa de software que precisou se reinventar diante do avanço da inteligência artificial.

Ele relembrou que o surgimento das empresas nativas em IA gerou preocupação no mercado de software como serviço (SaaS), mas afirmou que a tecnologia acabou se tornando uma oportunidade de expansão.

Segundo o executivo, o diferencial está em usar a IA para melhorar efetivamente a experiência do cliente e criar novas soluções.

“O cliente que experimenta uma experiência melhor dificilmente aceita voltar ao modelo anterior”, destacou.

Transformação acelerada no desenvolvimento de software

Ricardo Ramos, da Audaces, chamou atenção ao relatar a velocidade com que a inteligência artificial vem mudando os processos de desenvolvimento de produtos dentro da empresa.

Ele compartilhou o caso de um designer, sem formação em programação, que conseguiu desenvolver e lançar um produto em apenas 15 dias utilizando ferramentas de IA.

O relato exemplificou o impacto da tecnologia na produtividade e reforçou a percepção de que as empresas vivem um momento de profunda transformação.

“Vai mudar muita coisa. A velocidade com que estamos conseguindo desenvolver soluções hoje é algo realmente surpreendente”, afirmou.

Tecnologia como estratégia de futuro

O encerramento do seminário reforçou a percepção de que inteligência artificial, automação, integração de dados e transformação cultural já fazem parte da agenda estratégica das empresas.

Os participantes destacaram que, mais do que adotar ferramentas tecnológicas, o grande desafio das organizações será desenvolver uma cultura preparada para mudanças rápidas, inovação contínua e novos modelos de trabalho.

O seminário integrou a programação paralela da ExpoGestão 2026 e reuniu lideranças empresariais, profissionais de tecnologia e executivos interessados em compreender os impactos das tecnologias emergentes sobre os negócios e a sociedade.

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