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11/06/2026

Quais são os quatro pilares para construir a habilidade de comunicar

Jornalista Marcos Pereira desmonta o mito da oratória e entrega quatro pilares práticos para quem quer falar melhor

A ideia de que bons comunicadores nasceram prontos é o maior obstáculo para quem quer melhorar a própria fala. Essa foi a tese central da palestra de Marcos Pereira na ExpoGestão 2026, em Joinville, onde o jornalista e mentor reuniu evidências, histórias e técnicas para provar que o chamado “dom da palavra” não é talento nato — é habilidade construída.

Pereira é apresentador do Jornal da Manhã na Jovem Pan em Joinville, mentor formado pela Mentor Academy e mestre de cerimônias em mais de 200 eventos. Foi sua quarta participação no evento. No palco, começou derrubando o mito com dois exemplos de peso.

O filósofo Mário Sérgio Cortella — frequentemente elogiado pelo dom da palavra — afirma que não tem dom nenhum. São 62 anos entre salas de aula, mais de dez mil livros lidos e 35 escritos. Warren Buffett, maior investidor do mundo, diz que o certificado mais importante da sua carreira não é o de mestrado, mas o do curso de oratória de Dale Carnegie. “Comunicação não é dom, é construção”, disse Marcos.

A definição que muda tudo

Antes de apresentar os pilares, Marcos propôs uma virada de perspectiva: a comunicação não é o que você fala — é o que o outro entende. Isso desloca o problema. O erro não está na falta de talento, mas na ausência de estrutura.

Os quatro pilares

O primeiro é a clareza. A ambiguidade é o inimigo silencioso da comunicação. “Precisamos melhorar o atendimento com mais agilidade” — o que é agilidade? Cada pessoa interpreta diferente. Clareza exige intenção: o comunicador precisa saber o que quer que o outro entenda antes de abrir a boca.

O segundo é a presença. Segundo estudos do pesquisador norte-americano Albert Mehrabian, apenas 7% do impacto de uma comunicação vem das palavras. A voz responde por 38%. Os outros 55% são comunicação não verbal — postura, olhar, gestos, expressão. “As pessoas vão mais pelo que você faz do que pelo que você fala”, disse Marcos, e demonstrou ao vivo: pediu para a plateia apontar o dedo indicador enquanto ele próprio apontava para o queixo. A maioria imitou o gesto — e ignorou a instrução.

O terceiro pilar é o processo. Sem começo, meio e fim definidos, a comunicação depende da sorte. Quais assuntos vão por mensagem? Quais merecem ligação? Quais precisam de reunião? A falta de processo gera o ruído mais comum nas equipes: “achei que você faria”, “não recebi no grupo”, “sempre foi assim.”

O quarto é a escuta ativa. Ouvir e escutar são verbos diferentes. Ouvir é passivo — a informação entra e sai. Escutar é processamento: olho no olho, presença real, atenção ao que o outro está tentando dizer. “Quem não sabe escutar, não sabe falar direito”, afirmou.

Como desenvolver o dom da palavra na prática

  • Gravar vídeos curtos: destravar gradualmente a exposição; o erro faz parte do processo
  • Participar ativamente de reuniões: fazer perguntas, questionar, aproveitar as oportunidades de fala
  • Treinar o palco da vida cotidiana: aniversários, elevadores, conversas casuais com desconhecidos — cada momento é treino
  • Cuidar da voz: a voz é identidade. Usar pausas, variações de entonação e ênfase como ferramentas. Ouvir a própria voz sem autocrítica destrutiva
  • Treinar o subconsciente: “pensamentos são sementes vivas — tudo que você planta no subconsciente, ele torna realidade”. Plantar limitações é sabotagem; plantar possibilidade é treino

Por que isso importa para a carreira

Marcos encerrou com um dado direto: 15% do sucesso profissional vem da competência técnica. Os outros 85% dependem da capacidade de se comunicar, construir relacionamentos e fazer network. “A comunicação dá luz à tua competência. Não basta ser bom. É preciso parecer ser bom.”

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