
Em muitas empresas, concordar parece ser o caminho mais seguro. Mas um ambiente em que as pessoas evitam questionar decisões, apontar problemas ou apresentar opiniões diferentes pode custar caro à gestão.
O dado faz parte da 9ª edição da Pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, realizada pela The School of Life Brasil em parceria com a Robert Half. A pesquisa, realizada com 774 profissionais com nível superior e 25 anos ou mais e revelou que apenas 20% dos líderes e 16% dos liderados se sentem livres para discordar no ambiente de trabalho.
O dado coloca em evidência uma questão que vai além do relacionamento entre chefes e equipes: que tipo de cultura uma empresa constrói quando discordar parece perigoso?
O silêncio também comunica
Quando profissionais deixam de se posicionar por receio de serem considerados difíceis, negativos ou pouco colaborativos, o problema não desaparece. Ele apenas deixa de ser verbalizado.
O silêncio pode fazer com que problemas deixem de ser sinalizados, riscos não sejam comunicados e decisões equivocadas encontrem menos resistência. O resultado pode ser uma falsa sensação de harmonia, na qual todos parecem concordar, mas nem todos realmente estão de acordo.
Para a gestão, esse é um ponto especialmente relevante. Empresas precisam criar ambientes nos quais seja possível discordar de uma decisão sem transformar a conversa em conflito, apresentar uma perspectiva diferente e trazer más notícias antes que elas se tornem crises.
Liderar é criar espaço para o contraponto
Uma liderança madura não precisa concordar com todas as opiniões da equipe. Precisa, antes, garantir que elas possam ser apresentadas. É desse confronto saudável de perspectivas que podem surgir perguntas importantes, riscos que ainda não foram percebidos e alternativas para decisões mais consistentes.
Em um cenário empresarial marcado por mudanças rápidas, complexidade e necessidade constante de inovação, uma equipe que apenas confirma aquilo que a liderança já pensa pode ser confortável, mas dificilmente amplia a qualidade das decisões.
O desafio, portanto, não é fazer com que todos discordem. É fazer com que ninguém precise ficar em silêncio por medo de discordar.
A pergunta que fica para os líderes é simples e incômoda: se alguém da sua equipe discordar de você amanhã, essa pessoa vai se sentir segura para dizer?
Fonte: Valor Econômico


