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01/07/2026

Quem não souber seu preço vai perder mercado com a Reforma Tributária, alertam especialistas

Advogada Jessica Eiselt e coordenadora tributária Jocemara Junkes detalharam os impactos da reforma nos negócios

Empresas que não conhecem a fundo sua própria estrutura de custos correm o risco de perder competitividade com a Reforma Tributária. O alerta é de Jessica Eiselt, coordenadora tributária na SST Advogados, e Jocemara Junkes, coordenadora da Fluxx Performance Tributária, durante palestra sobre o tema na ExpoGestão 2026.

Segundo as palestrantes, a reforma não é uma questão só fiscal, mas uma reformulação de modelo de negócios. “Reforma Tributária não é sobre tributos. É preço, custo, venda, modelo de negócio, reestruturação societária”, disse Jessica.

Nem toda empresa vai sentir o impacto da mesma forma

Jocemara explicou que a transição muda a lógica de cobrança dos tributos sobre consumo: o PIS e a Cofins serão substituídos pela CBS, e o ICMS e o ISS pelo IBS. O tributo passa a ser devido no local de consumo, não mais no local de produção, o que preocupa estados produtores, como Santa Catarina.

Jessica destacou que esse novo desenho elimina benefícios fiscais hoje usados por indústrias catarinenses, como os TTDs de importação e o crédito presumido do setor têxtil, sem previsão de substituição. Segundo ela, o setor de serviços deve sentir o maior impacto: “Hoje, quando a gente fala do setor de serviços, a gente chega a uma alíquota de 2% a 5%, no máximo. Se a gente pensar em uma alíquota de 28%, é uma diferença muito grande”, disse, referindo-se à média estimada pelo mercado, já que a alíquota ainda não foi definida.

Fornecedor irregular vai custar crédito

Uma das mudanças mais sensíveis, segundo as advogadas, é que o direito a crédito tributário deixa de depender apenas da nota fiscal recebida — passa a depender de o fornecedor efetivamente recolher o imposto devido. “O governo está passando para o contribuinte o dever de fiscalizar”, resumiu Jocemara.

Na prática, isso significa que empresas precisarão monitorar a regularidade fiscal de seus fornecedores, sob risco de perder margem ou ter que substituí-los. Jessica recomendou simulações com os fornecedores de maior peso no faturamento como ponto de partida.

Decisões que não podem esperar

As especialistas defenderam que cada empresa monte um comitê tributário interno, reunindo representantes de áreas como compras, vendas, financeiro e recursos humanos — não apenas o setor fiscal. Entre as frentes de trabalho recomendadas estão: simulações de carga tributária, revisão de contratos para prever repasse de aumento de custos, mapeamento de fornecedores por risco fiscal e adequação de sistemas e documentos fiscais.

Jessica também chamou atenção para o chamado split payment, mecanismo que reterá automaticamente, no momento do pagamento, a parcela referente a tributos. Segundo ela, a mudança elimina a prática comum de usar esse valor para o giro de caixa da empresa por algumas semanas — o que exige reavaliar a saúde financeira do negócio desde já.

“A gente vai ter uma guerra de mercado”, disse Jessica, ao explicar que empresas que já simularam seus números e sabem quanto vão pagar e quanto vão economizar em crédito terão vantagem para ajustar preços e ganhar fôlego frente à concorrência.

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