
Suelem Oliboni, líder de TI do BMW Group no Brasil, trouxe exemplos de como transformar tecnologia em valor
Ter acesso a ferramentas digitais não garante, por si só, mais eficiência para uma empresa. O alerta é de Suelem Oliboni, líder de TI nas plantas do BMW Group no Brasil, durante palestra sobre transformação digital na ExpoGestão 2026.
Segundo Suelem, mesmo em empresas com alto investimento em tecnologia, processos manuais continuam comuns — planilhas e e-mails ainda sustentam etapas que poderiam ser automatizadas. “O problema não é a tecnologia em si. O maior problema é fazer com que essa tecnologia seja, de fato, um valor para o nosso negócio”, disse.
Capacitação como ponto de partida
Suelem apresentou três iniciativas da BMW para conectar tecnologia a resultado prático. A primeira foi um programa de capacitação em TI criado para qualificar operadores e técnicos da produção, num momento de dificuldade para preencher vagas internas na área de tecnologia com o perfil necessário. O programa incluiu treinamento em ferramentas usadas globalmente pelo grupo, como SAP, Jira e Confluence, além de metodologias ágeis e habilidades comportamentais.
Segundo a palestrante, o resultado foi a movimentação interna de carreira: operadores que se tornaram técnicos, técnicos que avançaram a analistas e, em alguns casos, a especialistas — incluindo transferências entre as plantas da empresa no Brasil.
Maratona de aplicativos amplia autonomia
A segunda iniciativa foi um evento interno de desenvolvimento de aplicativos de baixo código, reunindo equipes multidisciplinares — não apenas profissionais de TI — para automatizar processos manuais identificados no dia a dia das áreas de negócio. Entre os exemplos citados por Suelem está um aplicativo que reduziu de semanas para horas o processo de solicitação e aprovação de celulares corporativos, e outro que automatizou a coleta de indicadores de desempenho da planta, antes feita por troca manual de e-mails.
Adoção de IA depende de descoberta, não de acesso
A terceira iniciativa tratou da adoção de inteligência artificial generativa no dia a dia corporativo. Suelem descreveu uma jornada de capacitação voltada a ensinar o uso prático da ferramenta a um público amplo de funcionários — não apenas aos mais familiarizados com tecnologia. Segundo ela, a maior parte das dúvidas vinha de pessoas que notavam o recurso disponível, mas não sabiam como utilizá-lo no trabalho.
Suelem defendeu que a gestão centralizada da governança de aplicativos internos é necessária para evitar duplicidade de soluções e dependência de conhecimento individual — risco apontado por um participante durante o debate, que citou casos de ferramentas que paravam de funcionar quando o responsável saía de férias ou deixava a empresa. Segundo ela, toda nova aplicação passa por avaliação prévia de um time interno de governança, que verifica se já existe solução equivalente e garante o alinhamento com o responsável pelo produto.
“As pessoas são protagonistas em todas as iniciativas. Se a gente não tiver as pessoas que comprem essa ideia e que usem isso, todo o valor investido em tecnologia não vale”, concluiu.


